terça-feira, 25 de novembro de 2014

É possível manter um relacionamento saudável com não-vegano(a)s?


Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que não estou aqui para ditar regras, e sim para dar a minha opinião baseada em experiências pessoais.

Primeiramente, é importante ressaltar que:

Sejamos sinceros, ninguém é vegano pelo planeta, para reduzir as emissões de CO2 e CH4, pela água, por saúde... Veganismo é uma postura ética relacionada ao repúdio à violência com animais. Ponto final. Dessa forma, veganismo não é dieta. Vegetarianismo é dieta. Veganismo não. Veganismo vai muito além de dieta.

Relacionamentos entre pessoas com estilos de vida divergentes podem ser muito complicados, principalmente para a pessoa que é vegana e namora uma comedora de carne, afinal isso não envolve uma mera questão de gosto pessoal, mas de ética. Para quem é vegano, violência contra animais é algo inadmissível e intolerável. Dessa forma, conviver com uma pessoa insensível às questões animais, e que compactua e pratica essa violência diariamente, pode ser bastante difícil. Como li uma vez na Revista dos Vegetarianos, há um abismo ético entre um vegano e um não-vegano, o que torna a convivência bastante complicada.

Poderia uma feminista se relacionar com um machista? Poderia uma pessoa que luta contra homofobia se relacionar com um homofóbico? É desse abismo ético que estou falando.

Ao contrário do que muitos carnistas pensam, ser vegano não é questão de escolha pessoal. Há certas escolhas, como gostar de filme de terror ou comédia, rock ou MPB, roupa branca ou preta, que são preferências pessoais inofensivas. Já praticar/financiar exploração de animais vai muito além de uma mera questão de preferência pessoal. Envolve violência, agressão, escravidão, tortura e algo a meu ver muito grave: a insensibilidade a tudo isso.

Importante lembrar que se uma pessoa vegana se relacionar com uma não-vegana, ela terá de aceitar e conviver com a crueldade de animais o tempo todo. Essas situações incômodas, pra não dizer insuportáveis, não serão esporádicas, como ir ao zoológico ou contratar um carroceiro para recolher entulho, por exemplo, que é algo que se ocorrer, será uma vez no ano e olhe lá. Será muito pior que isso. O não-vegano irá usar roupas com couro todo dia, irá fazer supermercado com você, irá encher a sua geladeira com produtos animais, irá comprar cosméticos testados em animais e contendo ingredientes animais, irá almoçar e jantar com você... e você terá de suportar tudo isso TODO DIA, o tempo todo!

Poderia então uma pessoa que se sente indignada com a violência contra os animais conviver com outra totalmente insensível?

Minha opinião: muito difícil. A não ser que...

Existem dois tipos de não veganos: os carnistas debochados e a pessoa que come carne por hábito, porque todo mundo faz, mas apesar de ser sensível às questões animais, nunca parou para pensar em porcos, bois, frangos, peixes, etc.

O primeiro tipo é caso perdido. Relacionem-se com esse tipo de gente por sua própria conta e risco!

O segundo tipo... esse pode ser que valha a pena.

Nós nascemos numa sociedade que nos ensina desde pequenos a sermos machistas, racistas, homofóbicos, insensíveis ao sofrimento de certos tipos de animais e uma porção de outras coisas nada sensatas. Dessa forma, muitas pessoas com enorme potencial de se tornarem pessoas melhores praticam atos condenáveis apenas por terem sido criadas dessa forma e nunca terem parado para pensar nesses assuntos. Mas essas pessoas, caso encontrem alguém que as ajude a se libertar desses pensamentos que regem a nossa sociedade atual, podem sim se tornar excelentes companheiras.

O importante é perceber se a pessoa tem mesmo potencial. Caso ela tenha, não perca tempo. Não espere a pessoa evoluir sozinha, no "tempo dela", afinal os animais que são massacrados a cada segundo não podem esperar mais. Seguir junto o caminho rumo ao veganismo é maravilhoso. Ponha todo o seu potencial de ativista em ação e a ajude a modificar os hábitos, mas sempre com bom senso e sem pressões (pode ser contraprodutivo).

Mas se após algum tempo você perceber que estava enganada(o) e a pessoa não se mostrar interessada em parar de explorar animais... prepare-se para uma vida tendo de ver a sua/seu companheiro explorando animais na sua frente. Pergunte-se como será o futuro, se vê problemas em conviver com uma pessoa que tem uma visão oposta da sua. Explique o motivo do veganismo ser tão importante para você (através de fotos, vídeos, documentários...), converse sobre quais serão os produtos que entrarão em casa, na geladeira, na frigideira e quais restaurantes poderão frequentar. Se você tolera e tem esperanças que a pessoa evolua, ótimo. Se não vê uma luz no fim do túnel, talvez seja a hora de dar um game over.

Esse tipo de situação infelizmente é comum. Às vezes vemos uma pessoa que adotou um cão abandonado ou que trabalha como voluntário em canis e pensamos "taí alguém interessante com potencial". Vale a pena investir nessas pessoas? Certamente vale (meu caso!), mas nem sempre a pessoa tem mesmo potencial. Quase todo vegano é "cachorreiro ou gateiro", mas nem todo "cachorreiro" é um vegano em potencial.


Obs: Sou vegetariana desde muito nova e todos os meus namorados comiam carne. O meu namorado hoje é vegano, mas no início do namoro era frequentador assíduo de churrascarias e comia carne de vitela quase toda semana, muitas vezes logo após resgatar cães de rua. Mostrei a incoerência em tratar cães de uma forma e porcos de outra. Assistimos meia hora de Terráqueos e A Carne é Fraca juntos e ele ficou sem argumentos para explicar a crueldade a qual estava financiando.



E você, mantém um relacionamento saudável com um não vegano? Tem dicas de como lidar?

Recentemente foi lançado um site para solteiros em busca de um@ namorad@ veg! Já conhecem o site de relacionamento Namoro Veg?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Veggie Box: Assinatura mensal de cosméticos veganos no Brasil



Há alguns dias eu postei sobre um serviço de assinatura mensal de cosméticos veganos - o "Vegan Beauty Box" da Vegan Cuts. No entanto, a caixa vinha dos Estados Unidos e levava muitos dias para chegar ao Brasil. Pessoalmente eu já me acostumei a esperar 1 mês para receber encomendas, mas nem todo mundo tem paciência de esperar.

A novidade é que há um projeto seguindo mais ou menos a mesma ideia aqui no Brasil - a "Veggie Box".

As vantagens desse tipo de assinatura é que se tem a oportunidade de conhecer uma variedade de produtos veganos e marcas por preços mais baixos, além da comodidade de receber os produtos em casa, quando na maioria das vezes, muitos desses produtos não são fáceis de encontrar em lojas físicas.

Antes de sair do papel, os criadores do projeto deram início a um sistema de crowdfunding (ou a famosa "vaquinha") para arrecadar $$, já que, segundo eles, investir em cosméticos veganos é um pouco arriscado no Brasil; a maioria das pessoas ainda não se preocupa em escolher produtos de beleza mais éticos. Basta 5 minutos na "blogosfera" de produtos de beleza para perceber isso. As pessoas sabem que certas empresas de cosméticos testam em animais, mas não estão dispostas a deixar de comprar da marca preferida pela causa.

Confesso que demorei a entender como funciona essa "vaquinha", mas é a forma que eles conseguiram de angariar fundos. Dessa forma, eles pretendem iniciar esse projeto assim que a meta for alcançada. E caso essa meta não seja alcançada, os contribuintes receberão a primeira "Veggie Box", mas o serviço de assinatura poderá não ser concretizado.

Fui convidada para selecionar produtos que eu considero interessantes para essa primeira Veggie Box! Ainda não sei quais os produtos foram escolhidos (houve a necessidade de se adequar às empresas parceiras). Pode ser que tenha lip balm, esmalte, pincel de maquiagem, sabonete etc...é surpresa!

Cada caixa irá conter de 4 a 7 produtos (incluindo amostras e full size), todos de empresas que não testam em animais e sem ingredientes de origem animal. Haverá também alguns produtos com certificado de orgânico. Nas edições seguintes serão escolhidas novas blogueiras para curadoria dos produtos. Ao que tudo indica, a primeira box será enviada no dia 20 de janeiro de 2015.

Veggiebox

Podem esperar produtos de empresas como Surya, Feito Brasil, EcoTools e Arte dos Aromas. Há projetos de conseguir parcerias com empresas internacionais também!!

Por enquanto os produtos são considerados universais, mas num futuro é possível que haja uma forma de personalizá-los a partir da cor/tipo da pele e cabelo, por exemplo.

Há várias formas de apoiar essa campanha:



Os links da campanha são esses:

- Página do Facebook
- Site da Veggie Box
- Site da campanha

Vídeo da campanha:



Obs: como é tudo novo, acho super importante opinar e dar sugestões a eles. O contato pode ser feito nesse link.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Base HD da Silk Naturals


Há alguns dias eu fiz uma compra na Silk Naturals e pedi umas amostrinhas da base HD e dos corretivos. Tinha visto a resenha no blog da Phyrra e gostei muito do aspecto da base. A encomenda chegou em aproximadamente 1 mês sem taxas. Então fiz o pedido da base em bastão no tamanho normal na cor Golden 40 (e dessa vez fui taxada). É um bege médio com subtom dourado, voltado para peles mais amareladas e para quem quer uniformizar o tom da pele com o corpo, que normalmente é menos rosado e mais dourado (meu caso).

Além dos tons dourados, há o neutro (Neutral) e o tom frio (Cool)


Ela não é exatamente voltada para algum tipo de pele. Mas tem um acabamento natural, não é opaco e nem muito brilhoso. Eu tenho a pele oleosa e notei que não posso sair de casa sem aplicar um pó por cima, já que ela não controla a oleosidade. E depois de umas 6 horas, reaplico pó para manter a cobertura e controlar o brilho.

Mesmo não sendo sequinha, eu curti muito essa base! A cobertura é média e o fato de ser HD, faz ela ficar extremamente natural. Quando quero mais cobertura uso a base mineral em pó da mesma marca por cima.

A base não obstruiu os meus poros e não acumula nas linhas.

A lista de ingredientes é natural e bem simples:


No rosto:

Aplicação da base e espalhei facilmente com o pincel de base da Ecotools, mas rola de aplicar com os dedos também.

Base HD da SN sem corretivo. 
Obs: ela fotografa super bem! De longe a pele fica super bonita, mas ao vivo de pertinho nem tanto. 

Base HD da SN + base mineral 


Preço da amostra: US$0.99
Preço do bastão de 12 gramas: US$11.99

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Queratina animal x queratina vegetal


O cabelo é composto basicamente por queratina e uma pequena quantidade de lipídios. A queratina é uma proteína sintetizada pelo corpo e constitui a estrutura dos cabelos, unhas e pele.

Todas as proteínas, sejam elas provenientes de animais ou vegetais, são compostas por uma combinação de aminoácidos. O cabelo e a pele contém bilhões destes aminoácidos em cadeias ordenadas de maneira específica. Quando o cabelo é danificado por algum processo como descoloração, tintura, alisamento ou abuso de chapinha/secador, alguns desses aminoácidos são "arrancados" do cabelo. Para fazer o cabelo parecer mais saudável, brilhoso e mais forte é preciso repor esses aminoácidos.

A forma de produzir queratina pelo corpo é consumindo alimentos ricos em proteínas, vitaminas do complexo B, vitamina C, as quais estão presentes em verduras, frutas, cereais e leguminosas. Mas quando o estrago já foi feito, é possível repor a vitalidade do cabelo através do uso de produtos capilares contendo queratina ou aminoácidos que a compõem. Não importa se os aminoácidos vieram de plantas, animais ou a partir de cabelo humano, desde que sejam utilizados os aminoácidos adequados. Exemplo de aminoácidos que compõem a queratina do cabelo (nomenclatura INCI em inglês): cistine, cisteine, serine, arginine, lysine, threonine, glutamic acid, proline, alanine etc.

Dessa forma, quem não tem o cabelo danificado por processos químicos e térmicos, não precisa usar produtos que contenham proteínas ou aminoácidos para reposição. Já quem deseja complementar os cuidados com o cabelo danificado, deve tentar usar produtos hidratantes e que contenham óleos vegetais, além de ser necessário acrescentar um produto que contenha proteínas.

O problema ético da queratina é que a maior parte das encontradas em produtos cosméticos é de origem animal, sendo considerada um ingrediente fruto de exploração animal. Da mesma forma que eu não compraria queratina obtida de cabelos de judeus que foram mortos durante o nazismo (mesmo que o objetivo da morte não seja obter cabelo), não acho ético também comprar queratina de animais que foram explorados durante toda uma vida.

A boa notícia é que existem formas de fazer a reposição de queratina no cabelo a partir de ingredientes vegetais ou do cabelo humano. Veja as diferenças das queratinas a seguir:


Queratina de cabelo humano


O cabelo humano é composto principalmente por queratina, que é considerada "dura". A fim de hidrolisar (quebrar) essa queratina para utilização em produtos capilares e proporcionar a absorção pelo, é necessário submetê-la a vários processos químicos. Uma grande porcentagem do cabelo humano utilizado em produtos cosméticos hoje, principalmente de marcas internacionais, vem dos continentes indianos e asiáticos, já que essas pessoas vendem o próprio cabelo. Por isso não temos como saber sobre questão ética envolvida.

Em alguns rótulos, pode ser chamada de "Hydrolyzed Hair Keratin".

No Brasil existe um laboratório que sintetiza a queratina a partir do cabelo humano: o Mapric e pode ser comprada nessa loja.

Queratina animal


Geralmente a queratina pode ser extraída da lã de carneiros, penas de aves, chifres ou cascos de bois. A proteína hidrolisada de queratina (no rótulo é chamada de "hydrolized keratin") é quebrada em aminoácidos pequenos ("keratin amino acids") para penetrar na cutícula e permanecer no eixo do cabelo.

Há outras formas de proteínas animais obtidas pelo bicho da seda, chamada de "Hydrolized Silk Protein" ou "Silk amino acids". Além disso, é comum o uso de proteínas do leite, chamada de "Hydrolized Milk Protein". E menos comum, a proteína da pérola "pearl keratin".

Se dentre os ingredientes no rótulo de um produto tiver a palavra "keratin", ela é provavelmente de origem animal ou humana, nunca vegetal ou sintética. Pode conter a palavra "quaternizada", mas não deixa de ser de origem animal.


Queratina vegetal ou "Fitoqueratina"


A queratina vegetal é desenvolvida pela combinação de proteínas hidrolisadas obtidas do arroz, soja, trigo ou milho. As formas encontradas de queratina vegetal no rótulo são: "Hydrolyzed Wheat Protein" - trigo, "Hydrolyzed Corn Protein" - milho, "Hydrolyzed Rice Protein" - arroz, "Hydrolyzed Soy Protein" - soja e "Hydrolized Vegetable Protein" - algas.

A nomenclatura INCI não reconhece a "fitoqueratina" (hidrolisado de milho, trigo e/ou proteína de soja). "Phyto" ou "Fito" é um prefixo que significa "de uma planta". Então, quando você se deparar com o rótulo a palavra fitoqueratina, pode ter certeza de que ela é de origem vegetal.

Segundo pesquisas, hidrolisado de proteína do trigo e da soja são alguns tipos de proteínas que são utilizados em cosméticos para os cabelos, atuando na estrutura capilar dando-lhes resistência. Muitos processos químicos como tintura, alisamento, relaxamento e descoloração, entre outros, danificam a estrutura capilar tornando-a porosa, seca, sem brilho e sem maciez, modificando a textura e a penteabilidade dos cabelos. Embora muito usados na cosmética, poucos trabalhos científicos relatam a importância dos hidrolisados de queratina e mesmo de outras proteínas na cosmética capilar (TOMITA et al, 1994 U.S. Patent No. 5.314.873). Há inúmeras patentes depositadas abordando peptídeos, obtidos após hidrolise química de proteínas como a soja, trigo etc.

Resumindo: a tecnologia vem evoluindo e não é necessário usar queratina animal para reparar cabelos danificados, quando é possível encontrar inúmeras fontes de queratina vegetal.

Eu dei alguns exemplos de produtos capilares contendo queratina vegetal nesse post.


Referências:

http://www.sbrt.ibict.br/dossie-tecnico/downloadsDT/Mjky
http://www.biomedcentral.com/1472-6750/13/15
http://livros01.livrosgratis.com.br/cp069851.pdf
http://www.cosmeticsciencetechnology.com/articles/samples/1421.pdf
http://www.cosmeticsandtoiletries.com/formulating/function/repair/A-Botanical-Solution-for-Keratin-TherapyStronger-Healthier-Hair-240883821.html