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quinta-feira, 7 de abril de 2016

O que eu comi no dia | VEGAN

Quem ainda não viu os meus outros posts com inspirações de alimentação vegana para iniciantes, o link é esse aqui.

Como eu sempre aviso, eu não faço dietas, mas tento me alimentar de forma saudável na maior parte do tempo. A intenção é apenas mostrar como eu, vegana, me alimento no dia a dia. Quem quiser uma dieta mais específica, recomendo ir a uma nutricionista que saiba atender veganos. A lista desses nutricionistas pode ser encontrada neste link: http://www.vista-se.com.br/nutricao/


CAFÉ DA MANHÃ

Pão integral com guacamole (meio abacate amassado, 1 tomate picado, suco de meio limão, pitada de cominho sal e pimenta preta)

LANCHE

Caramba! Estou comendo meia bandeja de caqui por dia!

ALMOÇO

Arroz 7 grãos, lentilha, brócolis, couve-flor e tomate. Suco de laranja e limão.

Chocolate branco vegano da Tri Gostoso

LANCHE

Açaí, banana, aveia e amendoins.


JANTAR / APÓS ACADEMIA

Yakissoba: macarrão de arroz, shimeji, brócolis, couve-flor, pimentão, cenoura e molho de shoyu com óleo de gergelim torrado.

Shake de proteína vegan sabor morango (vem suplementada com B12)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Dica para ingerir mais nutrientes com o Cronometer


Por mais que a gente entenda um pouco de nutrição e dos alimentos ricos em certos nutrientes, sempre fica uma dúvida se estamos ingerindo o suficiente ou se nossa alimentação está deficiente. Em um mundo ideal, teríamos uma nutricionista acompanhando nossa dieta 365 dias por ano, mas enquanto isso não acontece$$, existem algumas ferramentas como o CRON-O-meter. É um guia que ajuda a contabilizar nutrientes, ingestão calórica e queima de energia por meio dos alimentos que ingerimos e atividades realizadas  no dia. 

A contagem dos nutrientes é feita baseada nas informações do RDA ("Recommended Dietary Allowances", que são as Recomendações Nutricionais para a população americana sadia, estabelecidas pela Food and Nutrition Board (FNB) dos EUA), baseando-se na idade, sexo, peso e altura.

É possível acessar o site e usar gratuitamente via web ou pelo aplicativo pago (plataformas Android e iOS). Só precisa cadastrar com um e-mail. Ele é todo em inglês, mas a interface é muito organizada e acredito que com a ajuda do google tradutor seja possível entender bem os alimentos e medidas, por exemplo: tbsp = table spoon = colher de sopa; tsp = tea spoon = colher de chá.

Basta clicar em "add food" e adicionar tudo o que consumir e a quantidade ingerida, inclusive de água para dar um detalhamento em percentual dos nutrientes ingeridos, assim como os aminoácidos essenciais e as calorias consumidas.

Como exemplo, eu inclui tudo o que eu comi em um dia. De acordo com o Cronometer, ultrapassei a quantidade recomendada de aminoácidos essenciais mas ficou faltando ingerir um pouco mais de vitamina E, B5, sódio e potássio. Como o meu objetivo era perder gordura, eu também ultrapassei a quantidade de calorias que eu deveria consumir.



Obs: Fiz algumas substituições porque se trata de um portal americano e não possui produtos brasileiros. Mas também é possível criar suas próprias comidas.

Infelizmente ele possui algumas limitações como:

- É importante ter em mente que não é porque ingerimos 2 g de cálcio que esses 2 g serão absorvidos. A absorção depende de fatores como: interação com outros alimentos (ex: café atrapalha a absorção de cálcio e vitamina C melhora a absorção de ferro), fatores anti-nutricionais presentes em certos alimentos (ex: fitatos) e do organismo de cada pessoa.
- Não contempla todos os alimentos, inclusive os produtos brasileiros.

O Cron-o-meter é interessante para nos ajudar a guiar onde devemos dar maior atenção e também ajuda para nos dar uma ideia sobre a ingestão calórica. Ele nos dá certa segurança de que uma alimentação vegana pode atender todos os nutrientes necessários. Mas não deve ser tomado como algo exato, nem substitui acompanhamento por nutricionista. É importante também fazer exames de sangue rotineiros para checar principalmente a vitamina B12.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O que eu comi no dia | vegan

Quem ainda não viu, os outros posts com inspirações de refeições veganas ao longo de um dia podem ser vistos aqui.

O meu objetivo com essas postagens é apenas mostrar que se alimentar sendo vegana não é um bicho de 7 cabeças e existem inúmeras refeições deliciosas e elas não precisam ser repetitivas (enjoo super fácil de comer arroz e feijão todos os dias!). Não me considero super saudável e não estou passando dietas. Tirando a vitamina D, meus exames de sangue estão ótimos (sou vegana desde 2007). Quem puder, recomendo altamente a ida em uma nutricionista com conhecimentos em alimentação vegana para uma dieta personalizada.



Café da Manhã  


Leite de soja (Olvebra - Omega), aveia, chia, banana, morango e blueberry (amo mirtilo congelado <3)

Almoço


Batata doce grelhada no azeite, brócolis e quinoa

Chocolate da Olvebra (As definições de felicidade foram atualizadas)

Vitamina B12 e Vitamina D da DEVA (trabalho + mestrado + blog + Netflix = não tomar sol => deficiência de vitamina D). Comprei ambas as vitaminas no iherb.com (se quiser usar o meu código de desconto: NAC181)


Lanche



                                       Suco verde e biscoitos de arroz com creme de Cacau Fit 



Lanche da noite

(antes de ir à academia)

Wrap de Rap10 com PTS refogada no molho de tomate, queijo vegan cheese da Superbom ralado, tomate, pepino e alface.


Jantar



Folhas de ora pro nobis, pepino, tomate, cenoura, feijão branco e molho (1 colher de tahine +1 colher de shoyu +1 colher de suco de limão)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que eu comi no dia | vegan

Continuando a sequência de posts com o que eu normalmente como num dia, deixo mais um exemplo com a finalidade de mostrar o que um vegano geralmente come.

Como é possível notar, nenhuma das refeições exige muita dedicação (na verdade eu sou bem preguiçosa para cozinhar) e eu tento sempre fugir da monotonia. Veja os outros posts aqui e aqui.

Café da manhã


"Overnight oats" = Aveia, chia, leite de soja, geleia 100% frutas vermelhas da Queensberry e banana. Deixei a aveia e a chia com o leite de soja na geladeira na noite anterior, de manhã acrescentei geleia e banana. Adaptada dessa receita

Lanche



Almoço 


Suco: beterraba, cenoura, laranja, limão, pepino e folhas de ora pro nobis (rica em ferro, proteínas, cálcio e vitaminas)

Omelete vegano: grão de bico cru (mas ficou de molho em água por 12h) batido no liquidificador com farinha de arroz, água, cebolinha, cúrcuma e temperos. Mistura tudo e assa até dourar com azeite na frigideira, como se fosse omelete. Receita adaptada do Menu Vegano.

Barquinhos de abobrinha assados no forno com recheio de molho de tomate com quinoa e mussarela vegana da Superbom

Lanche


Mousse de abacate, cacau, agave e chia.

Jantar


Abóbora japonesa cozida no vapor, brócolis e tofu grelhado com shoyu e gergelim preto e branco


Suco de limão com água c/ gás e suplemento de B12 e ferro (comprei no iherb.com)


Descuida um minuto e ops... aparece o devorador de abóbora.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

9 Motivos para não apoiar o bem-estarismo


A teoria do bem-estar animal (bem-estarismo) defende que é moralmente aceitável usar animais para fins humanos, contanto que esses animais sejam tratados “de forma humanitária” e não haja sofrimento “desnecessário”. Dessa forma, de acordo com a lógica do bem-estarismo, o uso de animais deve ser regulamentado visando melhorar as condições as quais os animais para consumo estão submetidos.

Existe um debate interminável sobre a efetividade da abordagem bem-estarista versus abordagem abolicionista. Por um tempo, preferi não me aprofundar sobre essa questão, acreditando que meu tempo e a minha energia seriam melhor direcionados para outros assuntos. Mas após acontecimentos recentes, como o caso dos porcos do Rodoanel e a recente comemoração de alguns veganos a respeito das medidas adotadas pelo McDonald's, senti que isso precisa ser mais debatido. Portanto, vou compartilhar minhas reflexões sobre os erros da estratégia bem-estarista.

"McDonald's anuncia compromisso em comprar ovos de galinhas criadas soltas em galpões".
 Vitória monumental para os animais? 


Não é raro ouvir as pessoas dizendo que não concordam com a forma a qual os animais são tratados atualmente em fazendas industriais e abatedouros, mas acreditam que comprar carnes, ovos e laticínios orgânicos de pequenos produtores seja a saída para esse problema, já que dessa forma, iriam financiar uma melhoria na vida desses animais. Tem sempre alguém dizendo que conhece um sítio onde os animais vivem bem, são criados soltos e felizes...

Existem também algumas pessoas que acreditam em medidas bem-estaristas como o aumento de baias de porcas ou a criação de galinhas poedeiras fora de jaulas, como um avanço rumo à abolição da exploração animal.

Abaixo eu explico os motivos pelos quais essa "solução" proposta pelos bem-estaristas não só é ilusória e inviável, como é contraproducente e anti-ética.

O perigo de rótulos como "humanamente abatido" e "criado livres de gaiolas" é que se perpetua a ideia de que há uma maneira certa de explorar e matar animais. 

1. Cerca de 50% da carne consumida no Brasil são de matadouros clandestinos.


A fiscalização no Brasil em criadouros de animais é tão precária, que mesmo se uma empresa ou fazenda fiscalizada alegar que os animais são bem tratados, qual é a garantia? Quem está fiscalizando? E o mais importante: quem se importa? No final de suas vidas, os animais são executados. Não existe aposentadoria nem morte natural de vacas, porcos e galinhas exploradas para produção de carne, laticínios e ovos.

Mesmo na mais bucólica e simpática fazenda fiscalizada, ocorre a castração de porcos sem anestesia, debicagem de aves, marcação com ferro quente, corte de chifres, separação de filhotes de vacas e transporte em condições deploráveis até o abatedouro.



2. A definição de maus tratos é vaga.


O que é maus tratos? Quando o assunto é maus tratos de animais, cada pessoa tem uma definição própria de maus tratos. Por exemplo, nós veganos consideramos maus tratos deixar um cão amarrado na coleira durante toda a sua vida, mesmo que tenha acesso à comida e água. Sabemos que cães são seres curiosos, possuem interesses em conhecer novos lugares, necessitam andar, cheirar, correr, interagir e brincar. Para várias outras pessoas e para a legislação brasileira, se o cão tem água, comida, um teto, atendimento veterinário de vez em quando e não sofre tortura física (espancamento), pouco importa se ele fica preso o dia todo.

Se com cães e gatos já é assim, em relação aos animais criados para consumo humano as leis de proteção animal não existem no Brasil, por isso você pode fazer praticamente o que quiser com um animal e ainda assim estará dentro das leis. Por exemplo, pegue um porco, castre-o sem anestesia, arranque os dentes no alicate, queime-o com ferro quente, mantenha-o confinado por toda a vida e depois mate-o com uma facada no quintal da sua casa e faça uma feijoada caseira pra você e seus amigos. Você estará 100% de acordo com a lei brasileira.

Separar bezerros das mães é maus tratos? Manter galinhas soltas mas matar todos os galos é maus tratos? Transportar animais por distâncias enormes em caminhões com condições insalubres até o matadouro é considerado mau trato? Pescar peixes com anzol ou redes e deixá-los morrer sufocados é considerado tortura? Uns dirão que sim, vários dirão que não. A definição é pessoal e vaga, por isso uma empresa pode perfeitamente colocar selos nos seus produtos dizendo que seus animais são bem tratados. São bem tratados de acordo com qual definição de mau trato? De acordo com a definição que a própria empresa tem do que é ou não mau trato!! Mas certamente um selo de “nossos animais são bem tratados” ou "certified humane" acarreta num considerável aumento das vendas!

Isso é maus tratos? A legislação diz que não, quem trabalha com isso diz que não e as empresas dizem que não. Fonte: O Holocausto Animal


Outro exemplo evidente de como a definição de maus tratos é vaga. Alguém aqui curte ou defende sexo com animais? Imagino (e espero) que não! Todos repudiamos a violência com que animais são estuprados. Mas quando se a finalidade for a produção de laticínios... aí tudo bem! Não é mau trato!

 

3. A relação explorador x explorado nunca é de respeito.


O objetivo do explorador de animais é lucro. Sempre e unicamente lucro. Não tem essa de "na minha fazendinha todos são felizes e bem tratados e esse é o meu objetivo". O lance é dinheiro e o que fazer pra ganhar ainda mais dinheiro às custas da exploração dos animais. Não existe relação amigável e de respeito entre senhor e escravo. Quando os interesses do explorador e do explorado entrarem em conflito, qual irá prevalecer? A relação explorador/explorado JAMAIS será de igualdade, respeito, amizade.

Pra piorar, é uma característica bastante comum entre humanos sentir prazer em abusar de seres (humanos ou não humanos) em situação de inferioridade. Relação de dominação implica necessariamente em violência. Isso é científico. Dessa forma, nenhuma fazenda (empresa) que lide com a exploração animal tem como garantir que os animais não estão sendo agredidos, já que é comum pessoas se tornarem agressoras por estarem numa posição de superioridade que as permitam agredir.

Existe o clássico experimento de aprisionamento de Stanford (virou até um filme: "Das Experiment"), onde pessoas comuns foram colocadas umas na situação de guardas e outras na de prisioneiros. Os “guardas”, por estarem numa situação de superioridade e controle, começaram a praticar atos absurdamente cruéis. O experimento, idealizado para durar semanas, teve que ser abortado em 6 dias, devido à crescente brutalidade dos “guardas”, que eram pessoas até então normais, sem sinais de psicopatia.

No Brasil, a bizarra prática de zoofilia nas fazendas é largamente difundida. Frequentemente vemos homem admitindo publicamente que já estuprou animais na fazenda. E depois dizem “mas tem uma fazendinha que os animais são bem tratados e só compro de lá...”. Então tá.

Conclusão: enquanto a relação humano-animal não humano for de dominação, exploração e interesse, é impossível que não haja nenhuma crueldade envolvida.


4. Não defendemos bem-estarismo quando é o ser humano que está sendo abusado ou explorado.


Segundo a lógica bem-estarista, seria possível defender violência “humanitária” com humanos? Por exemplo, alguém defenderia estupro contanto que a mulher esteja sedada? Jamais.

Como dito pelo ativista Gary Yourofsky, alguém aceitaria um estupro bem-estarista? Imaginem um sujeito educado, convidando uma mulher para ir num restaurante com ele. Ambos vão felizes a um ótimo restaurante italiano, conversam, se divertem... aí o sujeito coloca uma droga na bebida da mulher. Ela apaga. Quando acorda no dia seguinte, percebe que foi estuprada. Mas ela não sentiu nada, estava dormindo. E foi muito bem tratada antes do estupro. Que tal? Assim pode então? Não, né?

Mas quando se trata de um animal, curiosamente, está tudo bem nesse caso. Contanto que a teoria bem-estarista não nos seja aplicada, está ok. O bem-estarismo é bastante tentador para justificar nosso atos quando nós somos os exploradores, mas é imediatamente repudiado quando nós somos as vítimas. Bem-estarismo para manter a nossa posição de explorador? Ótimo! Bem-estarismo para nos manter na posição de vítima? Nunca!

As vacas leiteiras de pequenas fazendas também sofrem uma forma de violação, seja para que seu leite seja sugado diariamente contra a vontade delas, seja para serem inseminadas artificialmente. Após o nascimento do bezerro, ocorre mais uma violência: a separação da mãe e filhote recém-nascido, causando grande sofrimento para ambos.


5. Reduzir sofrimento ainda é sofrimento.


Se alguém me perguntasse se eu gostaria de tomar 3 tapas na cara ao invés de 10, é claro que eu responderia que sim. Mas o fato é que eu não gostaria de tomar nenhum tapa. Se eu prefiro 3 ao invés de 10, não significa que deveríamos sair por aí propondo às pessoas para que deem apenas 3 tapas nos outros.

Há algum tempo, Paulo Maluf pediu para que os estupradores apenas estuprassem, mas não matassem mulheres (Fonte). Essa lógica usada pelo Maluf é também muito usada pelos bem-estaristas: reduzir o dano é uma grande vantagem.

No entanto, isso foi considerado tão inadmissível que esse absurdo proferido pelo político virou motivo de repúdio naquela época. Quando a vítima é um humano, pelo visto só reduzir danos não cola.

Dessa forma, aumentar jaulas de porcas e galinhas poedeiras continua causando sofrimento e sendo uma forma de exploração, mesmo que seja menos desagradável. Regulamentar o uso de cavalos em carroças não irá livrar a vida abominável dos cavalos, talvez vá melhorar em um ou outro aspecto, mas o saldo final será negativo, afinal livrará a consciência de quem contrata o serviço dos carroceiros, fazendo com que mais cavalos sejam explorados, ao invés de se incentivar o uso de cavalos de lata ou caçambas.



6. Na prática, ninguém consome apenas produtos de criação extensiva e orgânica 100% do tempo.


Quem alega ser contra a forma como os animais são criados, geralmente não se importa com a procedência de seu alimento o tempo todo. Isso significaria se alimentar como um vegano quando não houver acesso ou garantia de procedência "humanitária" de laticínios, ovos e carnes. Se o sujeito vai a um bar ou restaurante, quem garante que aquela carne servida é oriunda de pecuária "sustentável e humanitária" ou os ovos são provenientes de galinhas criadas soltas? Nesse caso de incerteza, ele estará disposto a pedir salada, batata frita e macarrão sem ovos ao sugo ao invés da picanha? Abrirá mão de presunto e salame da Sadia?

Se a pessoa defender de verdade o consumo bem-estarista, acabará sendo vegano 90%  do tempo, já que o acesso aos produtos oriundos desse sistema não são muito acessíveis. E se já é vegano 90% do tempo, pode muito bem ser vegano 100% das vezes.

Bem-estarismo não passa de argumento para defender a exploração animal. Um argumento tão vagabundo que nem quem o defende o segue na vida real. 


7. A criação extensiva e orgânica de animais não atenderia a população global.


O bem-estar animal passa pela liberdade dos animais. Tendo isso em vista, o mundo não comportaria criações extensivas de animais para uma mesma quantidade de consumo atual. Seriam necessários vários planetas Terra caso todos os animais mantidos confinados hoje fossem criados livres em fazendas.

O bem-estarismo não passa de argumento para ser usado em discussão. Na prática, nem viável ele é.


8. Animais machos não tem vez em fazendas leiteiras ou em granjas. 


O destino de machos e de animais considerados “velhos” (leia-se: menos produtivos) em qualquer fazenda é apenas um: o abatedouro. Vacas precisam se reproduzir para dar leite. Galinhas precisam se reproduzir para dar continuidade à exploração. Os machos que nascem não tem vez porque não são financeiramente interessantes (bezerros de vacas leiteiras e pintinhos machos de galinhas poedeiras não são geneticamente gordos como os de corte) e são enviados para o abatedouro (ou para a panela) pouco depois que nascem.

Tanto na fazendinha “feliz” quanto nas criações industriais, o objetivo é o mesmo: lucro. E quando a produtividade do animal começa a cair devido à idade, eles são assassinados.

Não existe SPA grátis para machos e animais menos produtivos nessas fazendas.


9. A melhoria das condições dos animais em indústrias aumenta a produtividade.


Esse é um efeito colateral grave do bem-estarismo: alivia a consciência de quem explora animais, aumentando o consumo e, consequentemente, a exploração dos animais.

Se o bem-estarismo não impede a exploração de animais, por que grupos que dizem apoiar a causa animal defendem o bem-estarismo e não a abolição da escravidão animal (veganismo)? Simples: porque esses grupos na verdade são empresas que sobrevivem às custas de doações e de associados, e defender causas impopulares como "parem de explorar animais" ou "se tornem veganos" pode acarretar em dificuldades de conseguir associados e, consequentemente, dinheiro. Essas empresas, digo, grupos bem-estaristas, preferem apoiar ações que não acarretam em grandes mudanças na vida das pessoas. Para os bem-estaristas, não é preciso abrir mão de carnes, laticínios, ovos, couro, cosméticos, etc., basta comprar carne no supermercado X ao invés do Y, cobrar que a sua rede de fast food predileta se comprometa com o bem-estarismo (como o McDonalds fez) e, no mais, é vida que segue. Já ser vegano retira o sujeito da tão querida zona de conforto, frequentemente exigindo mudanças profundas no dia a dia... e nada é mais impopular que isso. O público se sente "compassivo" e descarta as obrigações morais consumindo produtos de animais "felizes".

No meu entendimento, as pessoas podem sim entender perfeitamente o significado de veganismo. Os argumentos para o veganismo como uma obrigação moral são perfeitamente inteligíveis para quem se preocupa o suficiente para ouvir. A maioria das pessoas entendem a ideia de que é errado infligir sofrimento aos animais por razões de prazer ou diversão, ou conveniência, mesmo que de outra forma não aceitam o igualitarismo de uma abordagem dos direitos animais. Por essa razão, não vejo a necessidade de usar abordagens bem-estaristas, pisar em ovos para falar sobre veganismo e propor pequenos passos rumo à abolição.

O bem-estarimo promove a ideia de que a forma como usamos os animais é errada, quando na realidade deveríamos promover que usar animais é errado, independente da forma como são tratados. Se existe uma forma certa de explorar e matar animais, pra que serve o veganismo?

Gary Francione diz no livro de introdução aos direitos animais:
"Se o bem-estar animal tiver algum efeito, é o de tender a facilitar a exploração dos animais, porque faz as pessoas se sentirem melhor quanto a usá-los."   
 [...]
 Tente conversar sobre veganismo com ao menos uma pessoa por dia. Se, no decorrer de um ano, só algumas dessas pessoas se tornarem veganas, você terá reduzido mais sofrimento do que gastando seu tempo trabalhando por leis que vão dar 2cm de espaço extra a uma galinha numa gaiola de bateria."

Nota: Existem fazendas sem crueldade animal: os santuários. Ex: Santuário das Fadas e Rancho dos Gnomos.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mas e as criancinhas com fome na África...



Quem é vegano/protetor de animais provavelmente já ouviu críticas como "Tanta gente passando fome e você ajudando animais?" ou "Estão comemorando a lei de proibição do foie gras e casacos de pele enquanto tem problemas mais importantes para serem resolvidos?" (Leia mais aqui e aqui). Recentemente, com a mobilização das redes sociais a favor da legalização do casamento homo afetivo nos Estados Unidos, apareceram também pessoas fazendo o mesmo questionamento: "Duvido que as pessoas se mobilizariam da mesma forma para combater a fome das crianças".

Esse argumento da "criancinha africana passando fome" é uma falácia usada apenas com o objetivo de desmoralizar outros movimentos.

Todo mundo faz e gasta dinheiro com diversas coisas "fúteis" como ir em jogo de futebol, sair pra beber no bar, comprar iphone, carro do ano, churrasco no final de semana... a lista de futilidades não tem fim. Mas nunca vemos alguém dizendo "Tanta criança passando fome e você aí vendo jogo do Brasil" ou "Você aí na praia enquanto as crianças na África passam fome..."

No entanto, basta falarmos de algum problema social, como machismo, homofobia, crueldade com animais, etc, que logo vem alguém se achando o Sherlock Holmes da incoerência ideológica dizendo "mas e as crianças da África?". O único objetivo desse argumento é dar um ar de futilidade às demais causas, desmerecê-las. Quem fala isso não está propondo uma mobilização visando elaborar projetos para acabar com a fome no mundo. Na verdade, provavelmente essa pessoa sequer ajudou alguém, seja mulher, negro, homossexual, animal não-humano, criança, idoso... O objetivo desse argumento não é, em hipótese alguma, levantar a questão da fome no mundo. O objetivo é ridicularizar qualquer outra demanda social.

Esse argumento é uma falácia porque parte do princípio que existe uma hierarquia de importância entre as causas e que só podemos nos preocupar com um assunto quando o outro, mais importante, já tiver sido resolvido. Isso é falso. Todos os problemas são importantes (principalmente do ponto de vista da vítima da injustiça) e podemos resolver todos os problemas simultaneamente. É possível se opôr ao machismo, contra a homofobia, contra a objetificação dos animais... tudo ao mesmo tempo! Não precisamos fazer uma coisa de cada vez.

O que é mais importante? Acabar com a fome, com a homofobia, com o racismo, com o machismo, com a escravização dos animais, com o aquecimento global? Tudo é importante. E é importante que tratemos de todos esses assuntos simultaneamente, afinal não basta salvar uma criança da morte por inanição. É necessário que essa criança salva, quando crescer, não se torne uma machista homofóbica racista que participe da tortura de animais. De que adianta salvar uma pessoa para depois ela se tornar, por exemplo, intolerante extremista que diz que homossexuais vão sofrer no fogo do inferno, trata animais como lixo e mantém mulheres como servas? Não basta salvarmos crianças da fome, é necessário que esses crianças não se tornem opressoras. É por isso que essas demandas sociais são tão importantes.

Além disso, podemos participar mais ativamente da solução de alguns problemas do que de outros. Exemplo: nossa sociedade em geral é propagadora do machismo. As mulheres são tratadas de forma inferior e diferenciada em relação aos homens. Se nós deixarmos de tratá-las assim e educarmos outros para que não o façam, estamos ativamente participando da solução do problema. O mesmo se aplica à homofobia e à crueldade com os animais. Quem propaga ou não a homofobia somos nós, logo mudar a situação está nas nossas mãos. Quem come um presunto, por exemplo, participa ativamente da desgraça dos animais. É só parar de comer que a situação começa a mudar. O poder da mudança está nas nossas mãos.

Já em relação à fome na África, o que eu faço ativamente que causa o problema? O que eu posso fazer para resolvê-lo? Nós não somos os causadores diretos desse problema, logo a solução dele não passa diretamente pelas nossas mãos. É um problema beeem mais complexo do que extinguir a homofobia, por exemplo. E o principal: não é diretamente causado por mim e a solução dele não está diretamente nas minhas mãos. Por isso, quem diz "você está aí lutando contra a homofobia, mas em relação as crianças famintas você não faz nada, né?" está usando uma falsa analogia.

sábado, 27 de junho de 2015

O que eu comi hoje - vegan

Hoje eu quis fazer um post sobre o que eu como em um dia normal. Escolhi um dia qualquer e tirei fotos das minhas refeições. As fotos não estão muito legais porque foram tiradas com câmera de celular, mas a intenção é mostrar como eu, vegana, me alimento no dia-a-dia e dar sugestões de comidas veganas. Como será possível notar, a alimentação vegana não é um bicho de sete cabeças. No final do post tem os lugares/sites que eu costumo comprar mais barato.

No YouTube tem vários vídeos com essa tag: "What I ate today - vegan". Vale a pena dar uma olhada.

Eu como muitas frutas e tomo chás (hibisco ou chá verde) todos os dias entre as refeições e não achei necessário mostrar aqui fotos de maçãs, peras, mexericas etc.

É importante lembrar que eu não me considero uma pessoa super saudável e essa não é uma dieta de emagrecimento.

Café da Manhã


Banana, aveia, chia e melado de cana 

Suco verde: pepino, maçã, couve, gengibre e limão 

Lanche da manhã


Biscoitos de arroz com pasta de amendoim

Almoço


Quinoa, brócolis, couve-flor, alface, tomate, cenoura e croutons de pão integral

Chocolatinhos 85% da Cacau show de sobremesa

Lanche da Tarde

 

Barra de cereais importada - Clif

Lanche da noite 

(1 hora antes de ir pra academia)

Grão de bico cozido e assado no forno com azeite, sal, ervas e pimenta do reino + suco de melancia

Jantar 

(após chegar da academia)

Proteína isolada de ervilha sabor chocolate/floresta negra

Lentilha, PTS (proteína texturizada de soja), couve e cenoura + suco de laranja

Suplemento de B12 e Omega 3 (odeio óleo de linhaça!)


Onde eu compro chia a R$10/kg, quinoa a R$26/kg, sal rosa a R$5/100g, pasta de amendoim, proteínas vegetais isoladas, ômega 3 e B12 da Unilife:


Barras de cereal proteicas Clif, Builder's e Mojo por 5 ou 10 reais e B12 da Deva:

  • Supermercado Verdemar em Belo Horizonte
  • iherb.com


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Respostas para as perguntas mais frequentes recebidas no blog

Devido à frequência com que venho recebendo e-mails sobre tópicos similares, achei que seria interessante fazer um post abordando essas questões na forma de um FAQ. Acredito que essas são dúvidas comuns de quem está iniciando no veganismo/vegetarianismo e as respostas podem ser úteis para ajudar a esclarecer alguns dilemas do veganismo:


1. Como você lida com a questão dos remédios, vacinas e anticoncepcionais dentro da ética do veganismo? 



Antes de começar a responder, gostaria de deixar a definição de veganismo de acordo com a The Vegan Society: "o veganismo é um modo de vida que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e de crueldade para com os animais, como comida, roupa ou qualquer outra finalidade".

Na maioria dos países os medicamentos tem de passar por testes de segurança antes de poderem ser comercializados e esses testes são realizados em animais. No Brasil a Avisa exige que todos os remédios, inclusive os fitoterápicos, sejam submetidos a testes em animais. Dessa forma, nenhum remédio é vegano. Mesmo se você encontrar uma pílula anticoncepcional que não contenha gelatina ou lactose, elas terão sido testadas em animais. A legislação atual exige. Se você precisa tomar remédios alopáticos, não existe atualmente nenhuma alternativa prática para tomar estes medicamentos de forma livre de crueldade. 

No entanto, é importante lembrar que não é porque hoje não existem remédios veganos que eles nunca existirão. Existem pesquisas em andamento para substituir os métodos in vivo por aqueles que não usam animais. Enquanto não houver alternativas, não é possível para nós veganos fugirmos dos remédios. Algumas vezes na vida, teremos que usar antibióticos, antialérgicos, analgésicos etc. Mas não é porque abrimos uma exceção, que somos hipócritas ou, já que não somos 100% veganos o tempo todo, o correto seria abandonarmos o veganismo. Fazemos o máximo que podemos para minimizar o nosso impacto na vida dos animais. Não vivemos em uma sociedade vegana ainda.

Eu não me sinto confortável financiando a indústria farmacêutica, mas não é porque sou contra testes em animais, que nunca tomarei remédios e nem direi às pessoas que façam isso. Há certas situações em que não temos como fugir. Enquanto não existir alternativa de remédios não testados, a única solução que nos resta é usar os testados. Fazemos o que está ao nosso alcance: já existem cosméticos, alimentos, produtos de limpeza e higiene não testados em animais e é nossa obrigação ética boicotar as marcas que ainda testam. Com os remédios ainda não temos opções e se precisamos deles para melhorar nossa saúde ou nossa qualidade de vida, não dá para fugir.

Em termos práticos, nas situações menos graves é possível conversar com o médico e solicitar alternativas, como os remédios manipulados em cápsulas vegetais, uso de ervas medicinais etc.

O dilema das vacinas também se encontra na mesma situação: as vacinas contém ingredientes de origem animal como derivados bovinos (células, gelatina) e clara de ovo, além de serem testadas à exaustão em animais. Mas se não nos vacinarmos, corremos o risco de ter algum tipo de paralisia, sarampo, coqueluche etc. Nesse caso, assim como o uso de remédios, nossa saúde entra em jogo e também não existem formas veganas de nos prevenirmos dessas doenças.

O uso do anticoncepcional para mim é bastante similar ao dos remédios: é questão de saúde e não cabe a mim opinar sobre a escolha de cada um. Existem métodos veganos de contraceptivos como algumas camisinhas, mas não podemos negar que as pílulas são mais eficazes e melhoram a vida de muitas mulheres em vários aspectos, principalmente as que possuem problemas nos ovários e as que não querem correr o risco de engravidar.

Sobre a pergunta: "Mas não é hipocrisia defender o veganismo e tomar remédios testados em animais?" Seguindo essa lógica, se você é contra a exploração humana e compra produtos eletrônicos provenientes de trabalho escravo de países asiáticos, está sendo hipócrita também. Tanto na situação dos remédios como na escolha da origem dos nossos produtos eletrônicos, a escolha foge do nosso controle. Não há outra opção. Portanto não tem nada de hipocrisia em nenhuma das situações. Hipocrisia seria se houvesse uma opção vegana e eu tivesse optado pela não vegana, mas não é o caso.

Posso resumir a situação da seguinte forma: se há alternativa vegana, temos a obrigação ética de só consumir esses produtos. É assim com alimentação, vestuário, opções de entretenimento, etc. Se não há opção vegana e o produto é indispensável, como vacinas e remédios, não nos resta outra alternativa a não ser consumi-los, mas lutando para que tais produtos passem a ser produzidos sem exploração animal.

Recomendação de leitura:



2. "Os ingredientes X, Y ou Z são considerados tóxicos para o organismo. Logo, esse produto não tem nada de vegano..." ou "Você sabe me dizer uma marca de batom que não contenha chumbo"?



Apesar de preferir consumir e usar produtos orgânicos e os considerados naturais por questões ambientais, eu não sou ortodoxa. Contanto que um produto seja vegano, ou seja, não pertença à uma marca que testa em animais, nem contenha ingredientes de origem animal, não vejo razões para boicotá-lo nem deixar de divulgá-lo no blog, caso eu perceba resultados positivos em mim. O mundo dos cosméticos e maquiagens veganas no Brasil ainda está engatinhando e o preço dos cosméticos orgânicos e naturais ainda não contempla o bolso de boa parte da população brasileira. Por isso não gosto de colocar milhares de empecilhos no uso de determinados cosméticos considerados veganos.

Há também controvérsias a respeito da suposta toxicidade dos cosméticos da forma como é divulgada. Posso mudar de ideia e ainda não fiz uma pesquisa a fundo, mas não acredito que usar um condicionador ou um blush com parabenos irá causar algum prejuízo à minha saúde no futuro. Aliás, se preocupar excessivamente com isso deve prejudicar mais nossa saúde. Nem tudo que é sintético é necessariamente ruim e nem tudo que é natural é necessariamente bom. Aliás, essa associação "natural-saudável, artificial-ruim" é bastante frequente, mas não há nenhum respaldo científico nessa afirmação. Cada um é livre para escolher usar produtos no próprio corpo, sendo ele "tóxico" à saúde ou não. O que não deveríamos é causar prejuízos a terceiros, ou seja, incentivar empresas que machucam animais no desenvolvimento de cosméticos.

Este excelente texto explica bem o que eu penso sobre esse assunto: "Porque spams de chumbo em batons nunca morrerão". Pesquisem sempre em fontes confiáveis como revistas científicas e especialistas.

Conclusão: Veganismo não é busca por saúde. Veganismo é uma postura ética em relação aos animais. E veganismo não é "naturebismo" (lembrando que eu não tenho nada contra quem é "natureba"). Batata frita, coxinha de jaca frita etc não são consideradas saudáveis mas não deixam de ser veganas.

3. Qual ração você recomenda para gatos?


Antes de mostrar as opções de rações para gatos, é importante lembrar que tanto gatos como cães foram domesticados há milênios. Eles foram retirados por nós de seu habitat natural, eram originalmente lobos (no caso dos cães) mas foram modificados geneticamente para atender padrões estéticos humanos e foram trazidos para centros urbanos, onde não conseguem sobreviver sozinhos na rua. Depois disso tudo, não dá para simplesmente abandonar um Pug na rua ou um gato persa no meio da floresta, mandar eles se virarem sozinhos e, quando eles não conseguirem e começarem a ter problemas (o que ocorrerá em 100% das vezes),  alegar "ah, mas é apenas a natureza agindo, seleção natural, não temos nenhuma obrigação moral com esses animais!". Dessa forma, temos a obrigação de salvar esses animais. Eles estão aqui por nossa causa e são 100% dependentes de nós. Não podemos mais "lavar as mãos" e deixá-los à própria sorte.

É por essa razão que não faz sentido falar sobre a "natureza" dos gatos. O termo é muito vago. Além disso, já impomos aos gatos uma vida não natural: viver em apartamentos telados/casas muradas cercadas por ruas e carros, comer ração, dar banho, remédios e vacinas etc. Fazer questão de dar uma alimentação "natural" aos gatos alegando "mas eles são naturalmente carnívoros!" enquanto nada mais neles é natural (vida, ambiente, genética, etc), não faz nenhum sentido. Além disso, a busca pela "alimentação natural" é irrelevante, já que o que importa para a saúde é a aborção dos nutrientes essenciais. De onde esses nutrientes vem (alimento natural ou artificial) pouco importa, contanto que venham.

Infelizmente ainda não existe uma ração vegetariana/vegana para gatos no Brasil - no dia que alguma ração vegana para gatos for lançada por aqui, pretendo ser uma das primeiras a comprar. Já existem várias marcas na Europa e Estados Unidos, porém a importação de ração é inviável. Nesse caso, hoje eu tento escolher a "menos pior". E por menos pior, leia-se: não pertence à uma empresa que testa em animais e não contém derivados de mamíferos. A minha recusa em comprar derivados de mamíferos não é especismo. Já que eu tenho que fazer uma escolha, eu prefiro evitar dar carne de vaca e porco e escolher as que contém somente peixe e frango. Não digo que a vida de peixes ou frangos não importe. Importam sim, e muito, afinal todos eles são sencientes, logo são merecedores de tratamento ético. No entanto, se eu tiver obrigatoriamente de escolher entre salvar um gato, um porco (indivíduo altamente inteligente) e um peixe (bem menos inteligente), fico com o porco, afinal a capacidade de sofrimento está ligada à inteligência do animal. Quanto mais inteligente, maior a percepção de si e do mundo, logo maior a capacidade de sofrimento. Sim, todos são sencientes, mas o senciente mais inteligente sofre mais do que o senciente menos inteligente.

Infelizmente, em relação a gatos, estamos nesse dilema. Temos a obrigação moral de ajudá-los, já que fomos nós que os colocamos nessa situação. No entanto, não há ração vegana no Brasil. Até que haja ração vegana no Brasil, me vejo obrigada a adotar a lógica do "least harm", ou seja, causar o menor dano possível dentro das circunstâncias. E comprar uma ração apenas com peixe para salvar gatos e não prejudicar porcos e bois me parece ser a saída menos danosa no momento.

A Royal Canin, a Whiskas, Eukanuba e outras testam em animais (fonte). Segundo o site do PEA, a Guabi não realiza testes e ela detém as seguintes empresas: Biriba, Faro, Fiel, Herói, Natural, Sabor e Vida / Cat Meal, Natural, Top Cat, Limpi Cat.




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Dicas de como manter a dieta vegana em viagens


Estamos na época em que muitas pessoas viajam durante o carnaval. Na maioria das vezes, o destino é uma cidade do interior, onde nem sempre há muitas opções de comidas veganas.  

Viajar e manter a dieta vegana pode ser desafiador quando não se está preparado. Dependendo de onde você está indo, as opções veganas podem ser abundantes ou inexistentes. Mas até mesmo nas cidades mais precárias em termos de veganismo é possível se manter vegano, uma vez que quase todos os destinos terão um mercado com frutas, legumes, castanhas, pães e alimentos básicos, sendo facilmente complementada com alimentos levados de casa. Cidade pequena ou não, o melhor a se fazer para não passar apertos (e fome) é preparar sua própria comida e levar alimentos de casa ao invés de confiar na sorte de encontrar restaurantes "vegan-friendly".

Como se preparar para uma viagem?

Para viagens mais curtas de um ou dois dias, você pode passar a estadia sem precisar recorrer a restaurantes. Nesse caso, dá para depender de frutas, sucos, sanduíches preparados em casa, barras de cereal e shakes proteicos em pó levado na coqueteleira. Os shakes proteicos à base de proteína vegetal isolada de soja, arroz ou ervilha nutrem as necessidades proteicas e dão sensação de saciedade.

Já quando a viagem dura vários dias, é preciso pensar antes em alguns fatores.

O primeiro passo é definir se você terá autonomia para cozinhar sua própria comida ou vai depender de almoçar e jantar em restaurantes. 

1) Caso não possa cozinhar, tente descobrir antes pela internet se há algum restaurante com opções de comidas veganas. Veja se existem lojas de produtos naturais ou lanchonetes com pegada mais saudável, onde geralmente há produtos veganos. Caso não encontre nada, leve o máximo de comidas industrializadas/não perecíveis que puder. A maioria dos restaurantes oferece o básico arroz, feijão e salada. Tente escolher um que não cometa crimes como colocar bacon no feijão ou frango desfiado na salada. O restante você provavelmente terá que levar para complementar. Nesse tipo de situação, eu costumo comer depois na casa/pousada/hotel algo rico em proteínas como tofu, PTS preparada anteriormente, enlatados da Superbom etc. Mas para isso é preciso uma geladeira para conservar ou até um isopor com gelo resolve.

Vista de rua da cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais
Os restaurantes de cidades históricas geralmente são muito conservadores e apegados à tradição da comida local, sempre farta em alimentos de origem animal. Foto

Há algumas situações como se hospedar em hotéis isolados (como o Overlook hehe) ou fazer um cruzeiro marítimo, por exemplo, nas quais você deve levar comidas. A não ser que faça amizade com os cozinheiros e peça para fazerem refeições especiais veganas (seria lindo se isso fosse possível), é provável que não encontre opções veganas.

Snacks, biscoitos e salgadinhos são super fáceis de encontrar e quebram um galho na hora do aperto. Exemplos veganos: Cebolitos, biscoito waffer de chocolate e cracker da Bauducco, Doritos Sweet Chili/Taco Mexicano/Dippas, Club Social tradicional/Integral, Nutry de castanha, paçoquita, batata e mandioca frita etc.

2) Quando existe a possibilidade de cozinhar durante a estadia, é mais fácil de se alimentar melhor sem depender de restaurantes. 

Eu não costumo ligar em manter a alimentação super saudável em viagens, já que serão só alguns dias e logo volto à rotina. Essa é a minha sugestão de mala de comida para complementar com frutas, verduras e legumes e cozinhar:


- Castanhas
- Glutadela
- PTS
- Caseirito 
- Veg Bar
- Catchup e mostarda
- Bisnaguinha integral da Wickbold
- Achocolatado de soja da Alpro
- Salsicha vegetal da Superbom
- Feijoada e lentilhada vegetariana (<3)
- Chocosoy
- Geléia
- Suco

Não saiu na foto, mas merecem a menção:
- leite de soja em pó da Olvebra (Omega)
- Proteína isolada de ervilha da Natural Science
- pasta de amendoim First
- pão sírio 
- pasta de grão de bico enlatada

Durante o trajeto da viagem, leve na bolsa: banana, castanhas/nozes/avelã, barra de cereais, cookies, proteína isolada em pó ou sanduíches de pão com pasta de tofu, tomate, alface e glutadela/hambúrguer vegetal etc.

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