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quarta-feira, 22 de março de 2017

Novidades | Maquiagens Veganas Nacionais

A preferência pela maquiagem vegana é um reflexo da mudança de pensamento no qual tenta-se escolher o que consumimos de forma mais responsável. Essa tendência vem se expandindo globalmente conforme se cria a consciência de que os animais não devem ser explorados para fins cosméticos, seja em testes ou como matéria prima.  

Para uma maquiagem ser vegana, é preciso que a empresa não realize ou financie testes em animais e também não possua ingredientes de origem animal, tais como: lanolina (retirada do sebo de carneiros), estearatos e glicerina oriundos de gordura animal, cera alba (cera de abelha), colágeno (retirado da cartilagem de animais), carmine (insetos esmagados) etc. Algumas marcas ainda vão além e produzem maquiagens orgânicas (cuja parte da matéria-prima é proveniente de cultivo livre de agrotóxicos e são consideradas sustentáveis, além de desenvolvidas com ingredientes naturais.


Veja os últimos lançamentos de maquiagens veganas no Brasil para todos os tipos de bolsos e gostos que vão fazer os olhos (e a pele) de apaixonadas por maquiagens brilharem.



BAIMS


(Baims/Divulgação)

A Baims é uma empresa que veio da Alemanha e possui maquiagens não só veganas, como naturais e orgânicas. As embalagens são feitas em bambu e evita-se o uso de plástico. Os pincéis possuem cerdas sintéticas e são feitos com alumínio reciclado. Os produtos possuem certificação orgânica, vegan e cruelty free. É vendida na loja virtual e em algumas lojas físicas. 



BIOZENTHI



(Biozenthi/Divulgação)

A Biozenthi lançou uma linha de maquiagens veganas e hipoalergênicas composta por batons líquidos matte, bases e protetores solar e pode ser comprada na loja virtual da marca.


SIMPLE ORGANIC


(Simple Organic/Divulgação)

A marca Simple Organic foi lançada no SPFW e já iniciou a pré-venda de maquiagens naturais e orgânicas, sendo grande parte delas veganas (alguns itens possuem cera alba), no site da marca.



ORGANELA


Todas os itens de maquiagem da marca são veganos, naturais e certificados orgânicos. Podem ser comprados na loja virtual da Organela.


ARTE DOS AROMAS



A empresa é conhecida pelos cosméticos para peles e tem alguns produtos com certificação orgânica. Recentemente foram lançadas 4 cores de batons e podem ser encontrados na loja virtual da Arte dos Aromas. 


DONA ORGÂNICA

(Divulgação)

A Dona Orgânica veio da Alemanha e além de serem veganas (com exceção dos batons Stick), as maquiagens possuem ingredientes orgânicos e as embalagens possuem uma pegada sustentável, feitas em bambu, evitando-se o uso de plástico. Podem ser compradas em lojas virtuais e algumas lojas físicas.

FACE IT



(Cabéra / Clicio Barroso/Divulgação)

A Face It produz batons veganos certificados pela PETA com formulações naturais, focando em qualidade e pigmentação. Podem ser encontrados no site da empresa.



MACRILAN


A Macrilan não é totalmente vegana, já que alguns pincéis são feitos com pelo animal, mas recentemente lançou a linha de pincéis profissionais MAX, que possui todas as cerdas sintéticas. O preço de cada pincel é bastante acessível e pode ser encontrado em perfumarias e diversas lojas virtuais.



(Divulgação/Maquiadoro)



OH! MARIA



(Divulgação)


O site da marca ainda está em construção desde muito tempo, mas é possível ver que alguns itens de maquiagens já possui a menção de "formulado sem derivados de animais". Caso queira receber atualizações, deixe o seu e-mail na caixa de novidades do site.




KIKO MILANO




A marca italiana Kiko Cosmetics chegou ao Brasil com preços acessíveis e está para iniciar a venda online no site. De acordo com o site Cruelty Free Kitty, a marca afirmou que não realiza testes em animais (seguindo as diretrizes da União Européia) e não vende na China (onde os testes de cosméticos em animais são exigidos). No FAQ do site, a empresa afirma que ainda utilizam cera de abelha, lanolina, carmine e alguns pincéis de cerdas de pelo animal. No entanto, a alternativa vegetal/sintética sempre é priorizada e basta ler a lista ingredientes no site para se certificar quando um item é vegano (quando não possui estes ingredientes). 

Pelo que pude entender, os esmaltes, lápis labiais, lápis de olhos, algumas sombras da linha Smart Colour, base em pó, corretivos e batom líquido são alguns exemplos de itens sem ingredientes de origem animal.



HOT MAKEUP



A marca chegou ao Brasil há poucos meses e pode ser encontrada em lojas virtuais como Sephora e Beleza na Web. Nem tudo é vegano, mas os produtos que são veganos estão indicados no site internacional da empresa com o selo da PETA de "vegan and cruelty free".




AMETSA



Os produtos possuem certificação de cruelty free da PETA e com exceção do batom de cor "Fátima", que contém cera de abelha, todas as outras cores são veganas segundo o SAC. Podem ser comprados no site da Ametsa.


HERBIA


 (Lohasstore/Divulgação)
                                                                    
A Herbia produz cosméticos orgânicos e totalmente veganos. Recentemente foram lançados batons com acabamento matte e máscara de cílios. 

Podem ser encontrados na loja virtual Lohas Store.


CATIVA NATUREZA


A Cativa produz cosméticos orgânicos, com certificação IBD e totalmente veganos. Recentemente foi lançada uma linha completa de maquiagem com máscara de cílios, batons, base, corretivo, pó combacto, blush, delineador, bronzer, iluminador e uma paleta de sombras. 

Podem ser encontrados na loja virtual da Cativa.


NEGRA ROSA


A Rosangela do blog Negra Rosa criou uma linha de bases líquidas voltada para peles morenas e negras, cruelty free e sem ingredientes de origem animal. Atualmente somente as bases são veganas, mas há a vontade em veganizar os outros produtos.

As bases podem ser encontradas na loja virtual da marca. 

domingo, 7 de junho de 2015

Por que eu não compro produtos do Boticário


Tendo em vista a polêmica envolvendo a nova propaganda para o dia dos namorados do Boticário, resolvi explicar por que eu não uso e não divulgo aqui no blog os produtos do Boticário. Achei louvável a empresa se posicionar claramente contra a homofobia e toda essa onda de cunho conservador retrógrado e religioso que parece pretender trazer de volta o país à Idade Média.

Sou totalmente a favor de mais propagandas que abordem a causa LGBT e apoiem a inclusão e a tolerância de casais de mesmo gênero. No entanto, a meu ver, não vale a empresa defender uma causa de oprimidos e ao mesmo tempo estar ao lado do opressor na causa animal. 

Ao que tudo indica, o Boticário não faz mais testes em animais, mas o SAC me respondeu que utilizam vários ingredientes de origem animal, inclusive derivados de sebo (gordura animal), lanolina etc.

O problema de usar ingredientes de origem animal eu já falei nesse post

Alguns veganos não compram nada da marca porque o Boticário patrocina o SPFW (São Paulo Fashion Week), o qual permite o uso de roupas feitas de peles de animais em desfiles de moda. Mesmo que o Boticário não patrocinasse tais eventos, ainda sim não haveria motivos para comprar da marca, já que quase nada (ou nada) é vegano.

Essa foi a resposta que o SAC me enviou (completa e parcialmente honesta, diga-se) sobre os ingredientes de origem animal usados pela marca. Como são muitos ingredientes, se eu for conferir os produtos, ingrediente por ingrediente, acredito que não sobrará nada e é por isso não compro nem divulgo nada da marca. 

Olá, Eliana!
Tudo bem?

Hoje utilizamos algumas matérias primas de origem animal, como alguns extratos, cera de abelha, lanolina, aminoácidos da seda.

Isso acontece, Eliana, porque algumas matérias primas não possuem substitutos de origem, ou não apresentam a mesma eficácia garantida, quando apresentada sob outra forma, como as sintéticas, por exemplo.

E, atendendo sua solicitação, estamos encaminhando abaixo uma lista de todos os ingredientes de origem animal que utilizamos, assim poderá verificar no produto que deseja se ele está na composição, tudo bem?

SEBOATO DE SÓDIO
PALMISTATO DE SÓDIO
GLICERINA
LANOLINA PEG 75
AMINOÁCIDOS DA QUERATINA
ÁCIDO ESTEÁRICO
ÁLCOOL LANOLINA ACETILADO
ACETATO DE CETILA
ESTEARATO DE GLICERILA
AMINOÁCIDOS DA SEDA
DIESTEARATO DE ETILENOGLICOL
OLEATO DE SORBITANO
CERA DE ABELHAS
LANOLINA
DIESTEARATO DE GLICOL
LAURET SULFATO DE SÓDIO
BUTILPARABENO
TRIISOESTEARINA
CI 75470
DICAPRILATO
DICAPRATO DE PROPILENO GLICOL
ESTEARATO DE ZINCO

O Protocolo deste atendimento é 0100144814.
Contamos com sua compreensão e permanecemos à disposição!
Tenha um ótimo dia!

Abraços,
Atenciosamente.

Andreia Gottardello

É importante lembrar que os ingredientes na resposta estão traduzidos para o português, mas no rótulo eles estão em inglês.

O comentário de que eles só usam ingredientes de origem animal porque não existem substitutos eficazes de origem vegetal e sintética é MENTIROSO. É sabido que um sabonete para ser eficaz ao remover a sujeira precisa usar como matéria prima algum óleo, mas pouco importa a procedência desse óleo, se é vegetal ou animal (seboato). O mesmo vale para a glicerina e os estearatos, que se forem provenientes de vegetais seriam tão eficazes quanto. Dessa forma, a verdade é que o Boticário usa sebo e outras substâncias de origem animal porque não se importa. Alegar que essas substâncias são comprovadamente mais eficazes e insubstituíveis é demonstradamente falso.

Obs: Além disso, o Boticário, assim com várias outras empresas, utiliza micropartículas de polímeros nos esfoliantes (Polietileno ou Polyethylene). Essas microesferas de plástico são umas das grandes responsáveis pela poluição marinha e morte de peixes (Fonte). Existem formas muito mais ecológicas de esfoliar o corpo e o rosto.

Eu prefiro apoiar empresas mais comprometidas com a causa animal, que produzem cosméticos isentos de ingredientes de origem animal. A tecnologia está avançada o suficiente para possibilitar a substituição desses ingredientes e não há desculpa que justifique o uso destas substâncias. Se houvesse desculpa, não existiriam empresas de cosméticos veganos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Queratina animal x queratina vegetal


O cabelo é composto basicamente por queratina e uma pequena quantidade de lipídios. A queratina é uma proteína sintetizada pelo corpo e constitui a estrutura dos cabelos, unhas e pele.

Todas as proteínas, sejam elas provenientes de animais ou vegetais, são compostas por uma combinação de aminoácidos. O cabelo e a pele contém bilhões destes aminoácidos em cadeias ordenadas de maneira específica. Quando o cabelo é danificado por algum processo como descoloração, tintura, alisamento ou abuso de chapinha/secador, alguns desses aminoácidos são "arrancados" do cabelo. Para fazer o cabelo parecer mais saudável, brilhoso e mais forte é preciso repor esses aminoácidos.

A forma de produzir queratina pelo corpo é consumindo alimentos ricos em proteínas, vitaminas do complexo B, vitamina C, as quais estão presentes em verduras, frutas, cereais e leguminosas. Mas quando o estrago já foi feito, é possível repor a vitalidade do cabelo através do uso de produtos capilares contendo queratina ou aminoácidos que a compõem. Não importa se os aminoácidos vieram de plantas, animais ou a partir de cabelo humano, desde que sejam utilizados os aminoácidos adequados. Exemplo de aminoácidos que compõem a queratina do cabelo (nomenclatura INCI em inglês): cistine, cisteine, serine, arginine, lysine, threonine, glutamic acid, proline, alanine etc.

Dessa forma, quem não tem o cabelo danificado por processos químicos e térmicos, não precisa usar produtos que contenham proteínas ou aminoácidos para reposição. Já quem deseja complementar os cuidados com o cabelo danificado, deve tentar usar produtos hidratantes e que contenham óleos vegetais, além de ser necessário acrescentar um produto que contenha proteínas.

O problema ético da queratina é que a maior parte das encontradas em produtos cosméticos é de origem animal, sendo considerada um ingrediente fruto de exploração animal. Da mesma forma que eu não compraria queratina obtida de cabelos de judeus que foram mortos durante o nazismo (mesmo que o objetivo da morte não seja obter cabelo), não acho ético também comprar queratina de animais que foram explorados durante toda uma vida.

A boa notícia é que existem formas de fazer a reposição de queratina no cabelo a partir de ingredientes vegetais ou do cabelo humano. Veja as diferenças das queratinas a seguir:


Queratina de cabelo humano


O cabelo humano é composto principalmente por queratina, que é considerada "dura". A fim de hidrolisar (quebrar) essa queratina para utilização em produtos capilares e proporcionar a absorção pelo, é necessário submetê-la a vários processos químicos. Uma grande porcentagem do cabelo humano utilizado em produtos cosméticos hoje, principalmente de marcas internacionais, vem dos continentes indianos e asiáticos, já que essas pessoas vendem o próprio cabelo. Por isso não temos como saber sobre questão ética envolvida.

Em alguns rótulos, pode ser chamada de "Hydrolyzed Hair Keratin".

No Brasil existe um laboratório que sintetiza a queratina a partir do cabelo humano: o Mapric e pode ser comprada nessa loja.

Queratina animal


Geralmente a queratina pode ser extraída da lã de carneiros, penas de aves, chifres ou cascos de bois. A proteína hidrolisada de queratina (no rótulo é chamada de "hydrolized keratin") é quebrada em aminoácidos pequenos ("keratin amino acids") para penetrar na cutícula e permanecer no eixo do cabelo.

Há outras formas de proteínas animais obtidas pelo bicho da seda, chamada de "Hydrolized Silk Protein" ou "Silk amino acids". Além disso, é comum o uso de proteínas do leite, chamada de "Hydrolized Milk Protein". E menos comum, a proteína da pérola "pearl keratin".

Se dentre os ingredientes no rótulo de um produto tiver a palavra "keratin", ela é provavelmente de origem animal ou humana, nunca vegetal ou sintética. Pode conter a palavra "quaternizada", mas não deixa de ser de origem animal.


Queratina vegetal ou "Fitoqueratina"


A queratina vegetal é desenvolvida pela combinação de proteínas hidrolisadas obtidas do arroz, soja, trigo ou milho. As formas encontradas de queratina vegetal no rótulo são: "Hydrolyzed Wheat Protein" - trigo, "Hydrolyzed Corn Protein" - milho, "Hydrolyzed Rice Protein" - arroz, "Hydrolyzed Soy Protein" - soja e "Hydrolized Vegetable Protein" - algas.

A nomenclatura INCI não reconhece a "fitoqueratina" (hidrolisado de milho, trigo e/ou proteína de soja). "Phyto" ou "Fito" é um prefixo que significa "de uma planta". Então, quando você se deparar com o rótulo a palavra fitoqueratina, pode ter certeza de que ela é de origem vegetal.

Segundo pesquisas, hidrolisado de proteína do trigo e da soja são alguns tipos de proteínas que são utilizados em cosméticos para os cabelos, atuando na estrutura capilar dando-lhes resistência. Muitos processos químicos como tintura, alisamento, relaxamento e descoloração, entre outros, danificam a estrutura capilar tornando-a porosa, seca, sem brilho e sem maciez, modificando a textura e a penteabilidade dos cabelos. Embora muito usados na cosmética, poucos trabalhos científicos relatam a importância dos hidrolisados de queratina e mesmo de outras proteínas na cosmética capilar (TOMITA et al, 1994 U.S. Patent No. 5.314.873). Há inúmeras patentes depositadas abordando peptídeos, obtidos após hidrolise química de proteínas como a soja, trigo etc.

Resumindo: a tecnologia vem evoluindo e não é necessário usar queratina animal para reparar cabelos danificados, quando é possível encontrar inúmeras fontes de queratina vegetal.

Eu dei alguns exemplos de produtos capilares contendo queratina vegetal nesse post.


Referências:

http://www.sbrt.ibict.br/dossie-tecnico/downloadsDT/Mjky
http://www.biomedcentral.com/1472-6750/13/15
http://livros01.livrosgratis.com.br/cp069851.pdf
http://www.cosmeticsciencetechnology.com/articles/samples/1421.pdf
http://www.cosmeticsandtoiletries.com/formulating/function/repair/A-Botanical-Solution-for-Keratin-TherapyStronger-Healthier-Hair-240883821.html



sexta-feira, 14 de março de 2014

Motivos para não usar ingredientes de origem animal


O uso de substâncias derivadas de animais sempre foi muito comum em cosméticos e ainda hoje essas substâncias tem sido usadas com frequência pela maioria das empresas. Portanto não é nenhuma surpresa que uma empresa comece a usar óleo de tartaruga para produção de cremes alegando, sem vergonha alguma, que o lucro com esses cosméticos é maior que o obtido pela venda de carnes.

Todos sabemos que a indústria farmacêutica/cosmética está longe de ser o supra-sumo da ética, seja em relação aos animais ou aos seus consumidores. Não é raro ouvir que cápsulas contendo colágeno hidrolisado obtido através de ossos e cartilagens de animais trará benefícios à pele, induzindo o consumidor a estabelecer a relação enganosa: "o que sustenta a pele é o colágeno, logo se eu comer ou usar produtos a base de colágeno terei uma pele mais firme".

Acho que não preciso comentar sobre os casos em que os animais precisam morrer ou são explorados exclusivamente para a obtenção de um ingrediente, como é o caso do almíscar (extraído de uma glândula de um animal) em perfumes. Esses casos hoje são repudiados pela sociedade e seu uso é bastante restrito, como é o caso do óleo de baleia. Sempre vemos por aí que a lanolina obtida do sebo da lã de ovelhas é um bom umectante. Além desses ingredientes mais óbvios, ainda há aqueles "escondidos" como glicerina de origem animal, vitamina D3, ácido esteárico etc.

No entanto, a pergunta que mais se ouve é "vários ingredientes de origem animal seriam jogados no lixo caso não fossem utilizados, o que torna o uso deles ecológico e sustentável. Por que não usá-los então?". Dessa forma, vou argumentar contra o consumo de subprodutos animais, aqueles extraídos após o abate ou frutos de exploração para obtenção de laticínios e ovos.

Se o uso do produto principal não se justifica, os subprodutos também não. Se justificasse, então automaticamente está eticamente liberado o consumo de salsichas e mortadela, por exemplo, afinal elas são feitas com subprodutos da industria da carne. Os ingredientes desses produtos seriam jogados fora caso não fossem utilizados em salsichas.

Para ilustrar essa situação, considere a produção de perucas na época da segunda guerra mundial. Antes de morrer em campos de concentração, muitos judeus, homossexuais e ciganos, tiveram seus cabelos cortados para que fossem destinados à produção de perucas. Pergunto: se você tivesse que comprar uma peruca, iria comprar uma feita com cabelos de judeus mortos na época do nazismo? A morte dessas pessoas não era especificamente para obtenção de cabelos, muito menos era uma morte por motivos éticos, mas já que os cabelos iriam ser jogados fora mesmo, então seria correto comprá-los alagando uma pseudo-sustentabilidade? Mas os nazistas da época lucravam com a venda desses cabelos que pertenceram à pessoas que sofreram, assim como sofrem os animais destinados ao abate e produção de leite e ovos. Ou seja, não queremos fazer parte e financiar um processo que gera qualquer tipo de sofrimento, seja ele humano ou não humano.

Sei que muitas pessoas tentam justificar o consumo de algum produto animal alegando sustentabilidade ou qualquer questão ambiental. Mas sempre que a ética entrar em conflito com questões ambientais, a ética deve prevalecer. E já prevalece em várias situações. Por exemplo, do ponto de vista ambiental, manter humanos velhos vivos é péssimo. Gastam remédios, comida, água, gasolina, poluem das mais variadas formas. Do ponto de vista ambiental, a morte deles é melhor. Mas quem defende a morte de idosos alegando "sustentabilidade"? E quando tentamos salvar cães de rua? Gastamos remédio, ração, um monte de coisas... pra que? Certamente do ponto de vista ambiental cães de rua atrapalham muito mais do que colaboram. Cuidar deles também não ajuda em nada o ambiente. Por que não os matamos alegando questões ambientais, como redução de resíduos e de demanda de alimentos, água, remédios, etc? Não fazemos nada disso por um único motivo: ÉTICA! Dessa forma, é completamente incorreto utilizar produtos animais alegando questões ambientais. A ética deve prevalecer e matar animais para usá-los em produtos é anti-ético.

Também não acho correto dar dinheiro e incentivar empresas que lucram com a exploração de animais, afinal isso impede que novos produtos sejam criados para substituir os derivados de animais que são utilizados. Se há um produto derivado de animal com certa característica cosmética interessante e que tenha grande aceitação pelos consumidores, por que alguém iria investir na criação de um produto substitutivo? Pra substituir algo que todo mundo compra sem reclamar e que dá um dinheirão às industrias? Certamente isso não irá ocorrer. Se todo mundo aceitar as coisas como elas estão, as coisas irão permanecer como estão.

Acredite: cada grama de ingrediente obtido de animais gera um saldo positivo no lucro de pecuaristas. Comprar produtos que contenham ingredientes de origem animal apoia a indústria da carne da mesma forma que a própria carne. Cada centavo gasto com esses produtos é um voto de aprovação à essas indústrias exploradoras de animais. Comprando produtos veganos, a demanda será para que empresas continuam produzindo produtos isentos de ingredientes de origem animal.

Outra afirmação bastante comum de quem defende esses subprodutos é que "o uso de tais produtos é legalizado e autorizado pelo Ibama. Então qual o problema?" Essas empresas que usam tartarugas em cosméticos lançam mão desse argumento na propaganda dos seus produtos. Obviamente o objetivo é tranquilizar a consciência dos consumidores, induzindo-os a pensar que se as leis permitem e o Ibama aprova, então tudo bem, podem comprar à vontade!

Infelizmente há uma diferença abismal entre lei e ética. Você pode criar um porco em uma jaula minúscula, castrá-lo e extrair todos os seus dentes sem anestesia, separar mãe de filhotes, no final matá-lo com uma facada no pescoço enquanto o observa gritando desesperado, e ainda assim estará 100% de acordo com a legislação brasileira. O Ibama também não se opõe a essa prática.

Somos bastante críticos em relação à cultura dos outros ou às atitudes dos nossos antepassados, mas somos incapazes de questionar a sociedade em que vivemos. Achamos um absurdo os canadenses matando focas a pauladas, repudiamos os japoneses caçando golfinhos e baleias, concordamos que nossos antepassados erraram ao escravizar pessoas, mas nos sentimos confortáveis e com a consciência limpa ao matarmos e comermos um porco, ao usar cosméticos com óleo de tartaruga, afinal se todos na nossa sociedade hoje fazem isso numa boa, e se as nossas leis atuais permitem, então não deve haver nenhum problema, certo? Errado. As pessoas tem dificuldade em perceber os erros e injustiças da nossa sociedade. Outros povos até que erram, mas "não nós".

Não se enganem. Esses produtos não são éticos, mesmo que as leis, as propagandas, os órgãos governamentais, os seus amigos, aquele ator ou cantor que você tanto gosta te diga o contrário.

Empresas que utilizam óleo de tartaruga: Abelha Rainha e Cotomi

 

Para saber a lista de ingredientes de origem animal, veja aqui.
Para saber sobre algumas empresas 100% veganas, clique aqui.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Principais ingredientes de origem animal em cosméticos


Há uma lista enorme com todos os ingredientes que podem ou não ser de origem animal no site da PETA e PEA. No entanto essa lista pode parecer assustadora à primeira vista. São muitos ingredientes para lembrar e fica praticamente impossível decorar tudo! Até que o projeto de lei da rotulagem vegana se torne lei, teremos um trabalho extra.

Fiz uma lista abaixo com os ingredientes que podem ou não ser de origem animal, baseada na minha experiência com rótulos de cosméticos. É claro que podem ter outros ingredientes além destes, mas são bem mais improváveis de achar, como gordura de baleia e golfinho.

Confesso que achava uma chatice ter que ler os ingredientes. No entanto, de tanto ler rótulos, nos tornamos mais conscientes do que estamos comprando e usando. Depois de um tempo, não dá mais para comprar produtos com derivados do petróleo e achar que é um cosmético de ótima qualidade, por exemplo. Mas lembre-se: ser natural é diferente de ser vegano.

Como saber se os ingredientes são de origem animal ou não?

  1.  Leia o rótulo e tente identificar os ingredientes que possam não ser de origem animal.
  2. Caso identifique ingredientes que possam ser tanto de origem animal ou vegetal/sintético, vá no site da empresa e envie uma mensagem ou e-mail ao SAC, questionando a origem dos ingredientes do produto que está em dúvida. 
  3. Caso não esteja seguro da resposta ou a empresa tenha ignorado seu e-mail solenemente, dê preferência às marcas que alegam no rótulo dos produtos ou no site, serem cruelty free e isentos de ingredientes de origem animal. No final do post, citarei algumas delas.



Origem animal:
(a não ser que tenha a palavra "synthetic" ou "vegetable" na frente, esses ingredientes são de origem animal. Evite-os)


  • Lanolin (gordura da lã de carneiro)
  • Beeswax / Cera Alba / Geléia Real (cera de abelha) 
  • Tallow ou tallowate (sebo bovino)
  • Carmine ou CI 75470 (insetos amassados)
  • Silk ou Hydrolized Silk ou Silk Aminoacids (bicho da seda)
  • Gelatin (derivado de ossos bovinos ou suínos)
  • Tutano (derivado de ossos bovinos)
  • Milk protein (proteínas do leite)
  • Emu oil (óleo de emu, uma ave como o avestruz)
  • Natural hair (pelo animal natural em escovas e pincéis)
  • Collagen ou Hydrolyzed Collagen (retirado dos ossos de animais)
  • Elastin (retirado dos ossos de animais)


Pode ser de origem animal ou origem vegetal ou sintética:
(em alguns produtos existe a palavra "vegetal" ou "synthetic". Caso não tenha, questione o SAC da empresa)


  • Keratin ou Hydrolyzed Keratin (pode ser oriunda de pele, unha e pelo animal, ou de cabelo humano)
  • Stearic Acid ou Stearate (pode ser gordura animal ou vegetal)
  • Caprylic/Capric triglyceride (pode ser derivado de gordura animal ou vegetal)
  • Hyaluronic Acid (pode ser placenta animal ou de origem sintética)
  • Glycerin (pode ser derivado de gordura animal ou vegetal)
  • Urea (pode ser urina de animais ou sintética)
  • Panthenol (pode ser derivado de mel, ovos, carnes ou vegetal)
  • Retinol (pode ser derivado de ovos, peixes ou leite.)
  • Magnesium Stearate (pode ser gordura animal ou vegetal)
  • Zinc Stearate (pode ser gordura animal ou vegetal)


É de origem vegetal/sintética:
(Citei apenas os que podem causar dúvidas)

  • Vegetable Glycerin
  • Castor oil (óleo de rícino, derivado de mamona)
  • Synthetic beeswax (cera de abelha sintética)
  • Silicones (dimethicone, cyclomethicone etc. Derivados de silício)
  • Paraffinum (Derivado do petróleo)
  • Extract (plantas)
  • Oil (óleos vegetais, exceto fish oil e emu oil)
  • Seed Butter (manteiga vegetal)
  • Vegetable Collagen (somente se estiver no rótulo "colágeno vegetal" Pode ser extraído de leveduras)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cronograma capilar com máscaras veganas

Há pouco tempo comecei a me interessar em cuidar e procurar por produtos que realmente tratam dos cabelos. Comecei a fazer o método de cronograma capilar e me dei muito bem com ele. É basicamente o revezamento de 3 tipos de produtos: produtos para hidratação (repor umidade), produtos para nutrição (repor lipídios) e produtos para reconstrução (repor proteínas).

Cada um deve adequar a frequência de uso dos produtos e os dias ideais da semana. Falando um pouco do meu cronograma, por exemplo, em uma semana uso uma máscara de hidratação na segunda-feira e na quinta durmo com um óleo no cabelo (para lavar na manhã seguinte). No sábado uso também a máscara de hidratação. Na outra semana faço o mesmo processo, mas uso um produto reconstrutor no sábado, por exemplo. E assim por diante. Tem muita informação sobre isso na internet. Outra coisa que melhorou muito foi parar de lavar o cabelo todos os dias e lavar dia sim, dia não. Senti uma diferença enorme! No começo foi difícil acostumar, mas vale a pena.

Vou deixar umas sugestões de máscaras veganas e produtos para os passos do cronograma. Os critérios que considerei para incluí-los como veganos foram as respostas dos SACs das empresas ou a indicação de vegano (ou sem ingredientes de origem animal), no próprio rótulo.


Hidratação - Ingredientes principais: glicerina vegetal, babosa (aloe vera), d-pantenol de origem vegetal, vitaminas e extratos vegetais 

  • Máscara Pós Progressiva da Bioextratus (contém queratina vegetal e pode fazer uma hidratação reparadora e até reconstrutora, dependendo do estado do cabelo)
  • Máscara Tânagra Health Hair Reparação Total
  • Máscara Hidratação Intensiva com colágeno vegetal da Acquaflora
  • Creme Yamasterol com aloe vera e d-pantenol 
  • Máscara Eco Therapy para cabelos secos da Amend 
  • Máscara Phytoervas SOS Restauração
  • Máscara Hidratante da Lunablu
  • Glicerina vegetal (basta acrescentar 1 colher para batizar qualquer máscara). Só misture a quantidade que for usar e separadamente.


Nutrição - ingredientes principais: óleos e manteigas vegetais como argan, coco, azeite, rosa mosqueta, karité, cupuaçu, buriti etc.

  • Óleo de Argan puro da By Samia
  • Máscara Botanique da Vizcaya
  • Óleo de Coco puro virgem Dr. Orgânico
  • Máscara Surya Fixação da Cor
  • Máscara Health Hair óleo de argan da Tânagra
  • Máscara Amazônia Preciosa para cabelos tingidos da Surya
  • Manteiga Capilar da Cativa
  • Óleo de Abacate da Bioessência

Reconstrução - ingredientes principais: queratina vegetal - proteínas do trigo, milho, soja ou arroz e aminoácidos vegetais: cistine, glutamic acid, serine, arginine, lysine, threonine, proline, alanine etc.

  • Máscara Reconstrutora Lunablu
  • Máscara Brazilian Keratin da Nunaat
  • Máscara Bio V Queratina da Vita Derm
  • Carga Proteica da Utopia
  • Reconstructor da Giovanni (Resenha aqui)
  • Máscara de Shitake da Bioextratus
  • Reconstrutor da Zerran
  • Spray Keravit da Bio Extratus
  • Paul Mitchell Color Care Reconstructive Treatment
  • Máscara Kera Max da Skafe
  • Queratina líquida obtida a partir de cabelo humano da Mapric (aqui)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que é Lanolina


Um dos ingredientes derivados de animais mais usados na indústria de cosméticos é a lanolina ou "lanolin" e "wool wax" em inglês. É muito encontrado em batons, cremes hidratantes, sabonetes, amaciantes de roupas, maquiagem em geral, cremes e remédios dermatológicos, podendo também ser usada para polimento de calçados, devido à sua propriedade hidratante. É também chamado de gordura de lã ou cera de lã.

Esta gordura de lã é um resíduo obtido na lavagem da lã do carneiro, onde a lã é direcionada aos lanifícios e o subproduto (graxa) é utilizado na produção de Lanolina.

Para aumentar o lucro, cientistas têm criado espécies de ovelhas que têm lã em excesso. Isso faz com que muitas ovelhas morram de calor no verão, enquanto outras morrem de frio no inverno depois de terem sua lã extraída.

Muita gente acredita que a lã e a lanolina são produtos "cruelty free" por achar que o carneiro não foi morto, apenas tosado para "aliviar" o peso do pelo. No entanto, infelizmente este não é o caso. Os carneiros são abatidos para virarem carne e a lanolina é um produto oriundo da indústria de carne de carneiro. Ou seja, comprar lanolina de pecuaristas é financiar a atividade pecuária.

Não caia naquela velha conversa de que ovelhas precisam ser tosadas ou de que os animais não sofrem desconforto nem dor durante a tosa, que são criados e tratados com amor e carinho.


É só dar uma checada em fotos de tosa e em vídeos como esse que a cantora Pink apresentou para a PETA. Depois me diga se esses animais parecem confortáveis e sem dor. A indústria da lã, como qualquer outra indústria que envolve animais, tortura e causa desespero, ansiedade e dor. Isso é escravidão! Leia sempre a lista de ingredientes e rótulos dos produtos que você for comprar, e se você vir a palavra LANOLINA, não compre! Há inúmeras alternativas de cosméticos por aí.

Vídeo da Pink sobre lã:
http://www.youtube.com/watch?v=2oiRbWnWYko


Algumas alternativas hidratantes para a lanolina: 

- Aloe Vera (babosa)
- Glicerina vegetal
- Óleos e ceras vegetais (soja, uva, coco, palma, candelilla wax etc)
- Triethanolamine
- Potassium Carbonate
- Óleo Mineral
- Manteiga de Karite
- Panthenol

Fontes: ehow.com, pea.org.br